segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Estrelas, anjos e outras pinturas.



Hoje escrevo, não para pairar sobre coisas e outras cenas não ditas...ou ditas de formas menos claras e pintadas com pós de imaginação. Costumo usar um pincel tipo arco-iris (yes, I fucking love it) para descarregar fúrias e felicidades neste espaço. Mas hoje não. Hoje, digo-o de forma crua e descolorida. Nada a temer, porque acredito quase sempre no que aqui respiro...ou expiro, tanto faz.
Quando olho para cima, à noite e fora de casa, esqueço-me de contar as estrelas. É facto que aqui, na cidade, tal memória é apagada pela luz. Mas a verdade é que me esqueço que ali estão, tipo anjos que gozam com a nossa existência. No bom sentido, quero eu dizer...afinal, eles sabem mais um bocadinho, de tudo.
Ontem um amigo pintou de negro o seu perfil. Odeio quando o fazem... Não gosto de más notícias! Aquela cor amedronta-me o curto prazo, quando declarada assim, tão cruamente. Odeio preocupações mas preocupo-me. É um Amigo (como hábito, dizemos sempre que são poucos...os Amigos) que publicamente declara um luto, seja pelo que for.
Odeio curiosidades mórbidas e por isso tento estender a mão...não pela razão, mas pela tristeza...a do meu Amigo. E agrada-me saber que ele o sabe.
Há mais uma estrela no céu...pintada de fresco, ouvi dizer. Porque continuo na cidade e aqui a fé nas estrelas é dado adquirido, elas estão por lá.
Triste notícia a que pintou de negro o perfil do meu Amigo. Era seu Amigo e deixa família, pequena e grande. Sensações de impotência, incompreensão, majestosos ódios e palavrões, vale tudo. Nova injustiça para quem trabalha fora de casa, numa qualquer distância, por aí...aqui. Então olho para cima, já sem perguntas porque deixei de as fazer, literalmente.
Pinto apenas mais uma estrela...desta feita com asas. E acredito que ali fica.

...ao Amigo António.




sábado, 23 de agosto de 2014

My thumb ring


I see bracelets and shiny stuff. All around me is in silence...apart from the slow motion song that doesn't leave my mind, over and over again. And my hands are covered by a tan I can't recognise from some Island I've been to.
Outside seems cold, though I'm wearing shorts and a simple white t-shirt with a simbol you pay for. I miss the cold though, and can't remember why.
There's money in the bank, cars in the garage and a closet full of shit. Expensive material everywhere, just because... But the big flat TV's off.
I wish I had a guitar, but I can't play. I'd smash it against the floor, that'd be fun. And by monday some lady would clean it, not me. But then again I was taught to clean my own dirt. By whom I try to remember through pictures and smells.
This is one of those years. All's great but the sense of it I find peculiar. Like I've dreamt a dream that isn't one, but a reality made of water, where everything flows naturally to reach the next. All but one.
I can't help wondering what the fuck I'm doing here. A place where the new replaces the filth. I'm not new, just fresh. And reinvention is my word, every now and again, though it's all in my mind...not surprising for the others, they see the sense in it.
My tattoos express the wild in my thoughts, but they use words of dolls...how beautiful...but it's not. They're the symbol of escape. They're the scream of millions of failed tryouts. I'm still here!
And learn to leave me be. If  I don't answer, don't judge my choice. I hate chatting, sometimes, and I won't play the nice to fill your expectations, not anymore. That's just me.




quarta-feira, 2 de julho de 2014

A million miles away

 

What if one life is not enough? What if the space between each dream or desire is too narrow and the lanes are just not enough? I've dreamt too much, or maybe not, but time is just not long enough.
One life...to make it happen. All of my secrets, all of my wishes, they're just too many. And one life, not big enough.
No complaints though, each time I stop, I know, each one is reached. Without knowing how or why, or just because I've tried hard enough, I find the arrow that shows the way. It's been like that ever since. All I've got to do is be honest about it, wih me, with my own life.
I've stopped planning a long time ago. I've found there was no point in trying to control the path. Took my hand of the wheal. Began to fly without knowing the pilot and let it all flow as such. Why bother, if life is not mine to control?
I just stop, when that time comes. I wait and see. I let it surprise me, good or bad, something's got to give. And give is all I have.
So, I got to know my deepest dreams. Not the ones I thought I knew, but the ones I was prepared for. The ones I was made for. And should I accept them, I came to realize that those would really let me be what I'm meant to be.
Some of us are made to be artists, in our own peculiar ways, others are meant to be loved. Some people were born to make others happy, or to help others simply rule the world. But only some of us know why. I (still) don't.
But there's a price you must pay. One life is not enough if you let yourself go. You dream too many dreams. And if you choose to let time take care of your destinies, you'll find there's not enough space to fit them all. And they can be a million miles away.
You want more. I want more. But the road I follow isn't large enough.
One by one I've been reaching my secret goals, But for that I must pay the price not to choose a single one. Time has shown me I can't stop it. And it goes by.
If you're born to be a jumper, how can you dream of steady flowers? That's the price.
I've dreamt another dream, and once again that dream is taking me away. Away from single flowers, from smaller creatures, apart from a single pair of hands, one heart, for I was born to go far.
And both dreams are too large to cope, a million miles away.


 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Fumos invisíveis, só pode.



São 22h22, a hora dos patos. O céu cobriu-se de negro numa pacata cidade do Sul, deste país arranhado pela história. Está na hora de escrever, até porque me dá aquele ataque de solidão quando me afasto da casa longe de Casa. Lá está, tenho a sensação que nos últimos 2 anos dormi em mais camas que no resto da vida. Ora um hotel perdido pelo caminho, ora uma casa de alguém, parece que já uso e abuso da minha nova condição...desapegado por tudo e por nada. Que mundo este, o meu.
Então voo sem ter asas, sentado numa qualquer poltrona de mais um avião, onde passo umas horas a recuperar o sono das manhãs de trabalho...e que trabalho. São horas, dias, meses de autêntica devoção elétrica ao que me traz por cá. Um emprego, uma carreira. Que mais? Um amor? Uma paixão assolapada pela minha pessoa e por um orgulho auto-estimável que me continua a fazer correr? Corro! Tanto! E já me canso, muito, até me doerem os joelhos de tanto pensar, stressar e decidir.
Mas ontem acordei feliz, não sei porquê. E hoje continuo. Dizem que exercitar o corpo quando a mente está ocupada cria enzimas de felicidade...se calhar é isso. Booh. Talvez os pesos matinais que teimo levantar ajudem...talvez. Mas deu nisto, ontem e hoje, não sei porquê. Oh imaginação! E sinto-me bem, sem saber de onde vem tamanha moléstia à solidão. Porque olho em volta e hoje estou só, abandonado numa terra que não é a minha, nem sequer é a terra onde vivo, não faz sentido. Porque sorrio? Mas sorrio, é mais forte que eu. Seria bom compreender...mas não.
Uma sensação alegre invade-me. Bem, quando é assim não me queixo, antes pelo contrário. Dedico largos minutos a gozar tal mordomia. É como se voasse, outra vez, mas desta vez em pé. Impossível. E penso. Será que alguém sente a minha falta? Estará ela a pensar em mim? Terei bebido a bebida dos Deuses? Nada faz grande sentido até porque estou cansado e preciso de férias, altura esta em que não me suporto...mas não. Oh que impertinência este contraste humano que só me faz rir. E não fumei nada, disso.
Não sei bem que mais pensar, ou que dizer. Por isso vou calar-me e vou rir para outro lado. Talvez dormir. Sim, vou dormir porque neste quarto de hotel a TV perdeu o sinal e valha-me a internet partilhada pelo meu Note. Senão nem escrevia.
O silêncio já vai alto e a hora não faz barulho. B'noite.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Maybe lost, maybe not.


Slowly fading after days of no rest. What else could it be? The age of a long-time walker? No! That'd make you an old man. Counting all the secrets and having them burned, oh what piles of books awaiting its turn. Nothing is as it was, or used to be, or how even you'd see it. Maybe you're the one who grew...never thought.
I see you lonely, every night, every day. And recovering from a night of pleasure has lost its spark. You shine differently, you see? But yet your eyes look away. You avoid the confrontation of the who you came to be...you, all over again. Look at what you've done, where you've been, how you've loved. Power over your own existence. 
You ain't lost...not yet. But those little affairs get you tired. Maybe more tired than before, and you're scared. Scared of walls, of the future, of the present and dogs and wales. You lost that freedom, I see it now. Stuck in a moment. Afraid to lose it all, again and again.
Time to face north, to engage on all that's left. Time to feel that feeling. You can still come back.


domingo, 1 de junho de 2014

Delírios, clarividências e venenos aerotransportados


Desculpa, mas estava na hora de mexer nas raízes. Havia um tsunami escondido por detrás de um vulcão esbaforido. E dores internas que lutavam contra um presente sem forma. Isso! Apesar de tudo, tinha de me perder. Lancei-te um último olhar transparente, meio de lado porque queria ser forte, que não me castigavas. Que erros inocentes de um sonhador sem testo. Então perdi-me, talvez...de vez.
Logo dei conta do desespero antipático de um beijo que aí ficou. E que mais responder senão correr em direcções opostas, por um deserto de gente igual? É que todos nós, aqui, fugimos de momentos antigos! Aqui, muda-se a página, nada é porque sim. Difíceis abraços a cactos depenados. Invejas gloriosas que já não o são. E segredos amarfanhados nos bolsos de ganga. É tudo tão falso, mas tão verdadeiro. Qual dualidade de quem vive aqui e aí. Tão sós.
Fazemos tudo por tudo para vos transmitir alegria. Afinal, sem ela não vivemos! E procura-mo-la incessantemente por detrás do Gim especial, de uma dança que nem importa ou de um qualquer encontro fortuito de olhares estranhos. Gritamos bem alto os sons que ouvimos, como anestesia cerebral às saudades que teimamos arrumar.
Aqui estruturam-se os minutos, sabes? E a cada um pertence cada coisa! Defendes-te como podes...porque aprendes que sobreviver ganha sabor a manga. Cada dia é um dia, mais um, aqui. Sabes que pode ser hoje, ou amanhã, o princípio do teu fim, ou o fim do teu princípio. É real! Mas até isso aprendemos a cobrir com histórias nocturnas e fotos de um paraíso azul.

Então perdi-me! Tenho paredes à minha volta e caixas de nomes estranhos que abro a horas certas. Resguardo-me num sofá outrora meu e procuro uma paz podre por entre minutos de delírio. Isto mata, sabes? E dói! Nunca pensei...ou por outra, sempre ignorei. Agora sei, agora...tarde demais. Foi como perder-te. Olhei-te de lado e quis contemplar um deserto sem o teu aroma. Foi aí que me perdi. E perdido luto contra o veneno aerotransportado que a minha história não quis deixar de (também) escrever. É tão difícil! É de uma merda impossível que destruiu a minha relação com o móvel onde me deito todas as noites. Oh cama, outrora namorada de momentos a dois, viraste palco de delírios, bar de noites embriagadas, refúgio de gemidos atordoados. Agora nem de ti me aproximo.

Faço, então, por contemplar um futuro tipo cena de um romance qualquer. Há-de acabar bem! Afinal, a Esperança é a última a morrer e, nesse caso, hei-de ir eu primeiro...mas peço-lhe boleia. Ou trago-lhe o gato, após um pequeno-almoço na joelharia da esquina..pode ser que me beije, então.