sábado, 2 de fevereiro de 2013

Partido(s)


...e porque há dias em que nos sentimos miseráveis, restam palavras memorizadas em textos azuis. É verdade! Azuis como os sentimentos pecaminosos que atravessam e contradizem os valores das mentes.
Acordem, apetece-me gritar...mas acordar é assim tão bom? Ver tudo claramente e desatinar ao desatino. Vale pouco! Não sei porquê, mas apetece-me respirar acordado, ainda que esta realidade seja solitária...que tanto odeio!
Olhei para o lado, e arrependi-me, mas também não. Estarei louco? Partido? Talvez partido...sim, talvez. Mas não quero conversar nem falar disso porque não tenho respostas.
Os ventos levam-me as vontades. E então só me apetece ficar a olhar. 
Desculpem lá, mas deixei de aturar o que quer que seja. Pois...os partidos são assim, como que partidos.
E o vermelho que me corre nas veias decidiu evitar o centro. Seco, este vislumbra-me quando estou só. E relembra-me que, noutros tempos, por ali passavam lavas incandescentes que interrompiam os raciocínios. Que saudades das certezas erradas e do som brilhante do partir de um coração.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

de mãos no ar.

Hoje fui correr para o deserto! Enterrado na areia senti o coração falhar, qual esforço estoico do sonhador aprisionado. Senti o calor de uma alegria afagar o desespero e respondi-lhe com a saliva que me resta.
De novo abro os braços e fito as estrelas de cabeça tombada. Porque goza o mundo com elas? De unhas traçadas respondem-me assim...é assim.
O troca-tintas deixei de ser eu. Sim, a mais pura das verdades! Não vou ceifar sentimentos, muito menos acreditar que os mudo. Mas, agora...logo agora? Agora que sou feliz e (já) não me encantam as companhias perfeitas? Agora?
Acuso-me de nostalgias cegas ao fim do dia. No entanto, de manhã, são sorridentes artimanhas de um cérebro que recusa estagnar! Eis-me aí, ou aqui, tanto faz! Livre de especulações amaldiçoadas sobre mundos difíceis. Eu? ...não! ...e de cabeça inclinada sorrio ao choro que me atormenta a memória.
Adoro tocar sonhos realizados. Mas deles fujo, depois. Como vistos certinhos nos questionários dos palestrantes...já tá.
Hum, não gosto de não gostar. Mas prefiro amar loucamente.
O dia é longo. Tão longo. As estrelas do sono? Já nãos as vejo há muito. Foram-se com a premissa há tanto estabelecida...serei eu o exemplo?! ...mas não. O exemplo são os outros e as suas companheiras escalfadas de crias pela mão. Esses sim! Antigos guerreiros de espada em punho que gritavam: jamais! Jamais? E eu que os fitava incrédulo, certo dos meus prazeres. Eu sim! ...mas não.
A surpresa de cada esquina é já minha amiga. Já não a procuro, vem só até mim. Então deixei de tremer...
Ainda respiro conchas de pérolas opacas. Daquelas que se encontram nos mergulhos profundos. Adoro nadar...e mergulhar. Mas de olhos abertos! Fechados nunca mais...consciente dos raios de sol que iluminam o fundo.



sábado, 22 de dezembro de 2012

"Inté..."

Parece que as paredes bloqueiam quem quer passar. É uma estrada em terra, ladeada por carreiros de águas passadas. As últimas chuvas deixaram buracos no caminho...é assim. E é vê-los passar, como quem já nada vê, ou tudo sabe. Aqui fretam-se ovos de rodas, sem portas ou janelas para que as belas não vejam. São azuis, são brancos, os ovos da Páscoa deste Natal. Tempos brilhantes por detrás de vidros foscos.
Mais à frente está o cimento. Aquele coberto de terra dos montes vizinhos, onde moram os pais, os filhos e amigos. Onde as luzes são fracas e as águas...as águas...são dos crocodilos!
O pano de fundo é cinza claro, ou cinza escuro se as nuvens quiserem descarregar. Torres que querem crescer e o mar ali...que nada lhes faz. 
Por outras vias coloridas, onde me encontro por engano, às vezes, são memórias antigas de brinquedos no chão. E no meio daquilo, de janelas subidas, passeia-se gente que pula e não o sabe. As cores, que frenesim de publicações numa biblioteca viva...ali. E ao fim da tarde, todas perdem a cor...são amarelas, laranjas e bejes, de um claro amargo que cativa...
Não quero falar das águas, deixo-as estar. São dali e são de abraços leves, quando as deixamos. Massagens frescas de sujidade crónica...em dias de torra. 
É isto, um parco odor a aventura, quando me deixam... "Inté!"



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Obrigado...parece pouco.



Ontem fiz anos...acho eu. Foi o que me habituei a fazer...desde que me lembro. E já foram alguns! Costumo, em tom de brincadeira, dizer que já cá ando há muito...e já. Tenho vivido depressa e devagar, se calhar ao contrário, porque gosto de sentir tudo o que vejo e ver tudo o que sinto. Para mim o que é bom não passa depressa, leva tempo! E tudo isto agora é bom! Mesmo...
Obrigado!
Parece-me pouco, uma só palavra para vos dizer, a todas e todos, o que quero...obrigado...não chega.
Foi tão bom...ver, ler, ouvir...a família, a Jackie, as amigas, os amigos, as conhecidas e os conhecidos, as ex-namoradas e as que não, os mais chegados e as esquisitas, o motorista do autocarro e a senhora do leite...todos "apareceram" e gritaram nesse dia! O meu aniversário!
Em terras distantes da minha cantou-se! Ao luar ouviram-se gargalhadas de quem, de copo na mão, quis comer o bolo e beber o cristal...faltaram os morangos, a meu ver!
Amo-vos!
E por este caminho tão...tão...tão estranho a que chamo vida, vou-vos amando e odiando, porque vos quero perto! Mas sou eu que fujo, ou então levam-me! Apesar de tudo...sou tão feliz! Bolas!!!...tão feliz!




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Consciência



Tão longe, tão longe. Isto aqui é longe. Até de noite, meu amor, isto é tão longe.
Cada canto de esperança aperta o meu sentido de ser. Procuro migalhas de memórias e encontro pegadas de baratas. Perseguido pelos mosquitos, caminho por entre as areias das praias dos meus Verões.
Tão longe, pareces-me estar tão perto. Ou não, mas isso já não importa.
O céu aqui é diferente, azul...oh as lágrimas de crocodilos ao sol. Tudo é intenso e talvez verdadeiro. Aqui somos nós, nós...compreendes? Não há como contornar quem sou, porque nada mais importa, ser!
Os sons aqui são da tua voz sumida. Onde andas? O poço do mundo é maior que os mares abertos.
Que espíritos me consomem as ideias? Verdade! Aqui, neste canto, sou mesmo EU...e não percebo porque deixei de actuar. Tornam-se árvores antigas, os valores com que nasci. 
Oh meus amores, pelo mundo caminho e aqui me encontro. Dêem-me a mão porque daqui vos carrego. De cima deste monte de pernas para o ar. Afinal...não me perdi.



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Nada



Nestes últimos tempos aprendi que, afinal, não sei nada sobre nada.
Aprendi que o tempo nada tem a ver com a vida. Que o talento nos dá a liberdade de aprender...mesmo nada.
Somos...sim, somos. Nus ou vestidos...simplesmente somos. Por isso, nada.
Então penso que se não fiz, não disse, não beijei, não toquei, foi porque continuo sem entender...nada.
Querer é diferente de saber, não apenas uma frase simples, motivada por frases anteriores. É diferente!
Quero! Isso sei! ...mas o quê?
Pois! Uso-me para atingir olhares e sorrisos...oh, até porque isso me faz sorrir, também. Mas se soubesse, então, fá-lo-ia? Não sei...nada!
Tenho medo de não saber que sei. Só um pequeno segredo. Porque um dia quero escrever-te uma carta, quando souber, escrever e ler...o que afinal não sei. Desculpa. Mas tenho de saber! ...e não sei.