domingo, 28 de julho de 2013

A rapariga dos jeans


Caminha com um sorriso tremido, quando está sozinha. Porque conhece um pouco do mundo, já nele caiu. É de uma beleza sincera e escondida. Aos olhos da multidão é uma flor simples e algo séria, faz de propósito...porque não procura a atenção, consegue-a simplesmente.
Veste uns jeans e uma t-shirt, não precisa de mais. E a face é pintada pelos elementos, creme de um sol de inverno, sem querer parecer. Uns olhos verdadeiros...sim, verdadeiros, que mais dizer?
Vejo-a tilintar enquanto dança sozinha num palco vazio, entre folhas espalhadas pelo Outono. Sorri até entre elas tombar de braços abertos...ali pode sorrir sem medo dos medos que tem.
Já não procura compreender os outros, observa-os. Vive sem exigir nada das montanhas e para elas olha com a força de uma tempestade, imponente, atrevida, capaz de tudo mudar. E mudará.
Reconhece a essência do outro, não a deseja mas compreende-a. E aceita-a. Com medo, sim, quem não treme quando recebe um diamante? Mas usá-lo-á porque é (será) só dela.
E nesse novo mundo, acredita...não porque tem razões, mas porque acredita. Simplesmente. Sabe que amar não pode ter razões, porque as razões mudam com a história. Sente, só! E espera vê-lo na manhã seguinte, apesar do íman do resto do mundo. Ele é chamado porque brilha...e o brilho atrai...trai.
O medo das outras confunde-a, porque sabe... Sabe que o vento leva o seu amor pelo mundo, porque este tem asas, mas tra-lo-á de volta...ao fim do dia, incólume, virgem, só seu. E nisso vive...porque conhece a verdade!
O seu amor é um Homem. Tem a sorte no peito. Simples aos olhos de si próprio, mas confuso no mundo...vêm-no como estrela de uma história de filmes. A sua fé contorna as mesas tombadas...é especial, mas não o entende, sabe-o apenas. E tudo o que faz, faz porque sabe...e porque quer. É rei de uma palestra e nas tribos onde vive alcança o lugar de estrela...intocável. Sim, de facto, O intocável. E disso está farto, o amor da rapariga dos jeans. Quer ser menos mas não sabe. Quer ter menos, também, mas a sua sorte prefere maltratá-lo, ainda assim. E dá-lhe mais. Tem um sonho apenas...encontrar as jeans atiradas para o chão, numa pista de roupas espalhadas até ao leito onde dorme, onde beija, onde sonha...onde ama...a rapariga dos jeans.
E ela é feliz! Tem sonhos de menina e atira-os à cara. Sabe que o desejo move o seu coração. Irracional, simples, verdadeiro....como o ama. Sem saber porquê, mas sem perguntar.





domingo, 14 de julho de 2013

e Deus ri :)

A ti...não sei se te conheço. Quero dizer-te que te espero ao fim do dia, debaixo de um sol poente. O mundo não entende, sabes? Que debaixo de toda a força, debaixo de cada sorriso, está aquele vulto curvado. E tudo o que tem para agarra-se é uma fé constante na premissa que, um dia, apareças...e fiques.
Quero perder-me em ti! Ser o teu canto quando dormes, o espelho quando sorris. És a minha canção favorita e quero cantar-te a vida inteira. Quero aprender-te. Ser o teu melhor amigo e respirar-te cada segundo.
Onde estás? Com quem andas? Quando dormes, alguém te protege e observa?
Eu? Não sei. Já não me lembro de sorrir...mas sorrio a cada segundo. Estranho não é? Porque sorrio na esperança de um dia dar gargalhadas contigo, na roda gigante de uma feira qualquer.
Já perdi tudo, sabes? Mesmo tudo! Mas levantei-me...devagar, até chegar aqui. Mas daqui não saio mais, até te encontrar. Porque já nada sei.
Mas quem sou eu para dizer que um dia aqui estarás? Porque o homem planeia...e Deus ri.


sábado, 13 de julho de 2013

O que quiseres









Sabes? Eu vivo num sítio onde quase tudo acontece. O lixo amontoa-se pelo chão à beira das poucas valetas mas os pássaros são de um laranja incandescente. Fala-se uma língua rápida, bonita e viciante. Os cães vagueiam pelas ruas e procuram refúgio por baixo dos cantos deixados pelo homem. Assim partilho tudo o que sou. Alegre, bem-disposto e ás vezes melancólico...com tudo isto.
O tempo passa e os sonhos ganham formas diferentes. Já pensei correr atrás deles, mas as rugas do caminho são incontroláveis e, aqui, tudo acontece de mãos abertas. Engana-se quem pensa controlar o destino (no qual deixei de acreditar).
Os sons do meu iPod valorizam o abrir dos olhos, pela manhã. Tropeço em expectativas engraçadas. Será hoje? Ou talvez não...até nem importa. É isso mesmo, já não importa. Estou algo cansado de teorias...aqui não se aplicam.
Queres mesmo saber? Os valores estão lá, dentro de cada um e não vão a lado nenhum. É com eles que EU vivo. Tudo o resto são consequências de actos pensados, ou não, mas que moldam cada dia.
Ainda acho uma certa piada ás reacções valentes, ardentes mesmo, das vítimas de si próprias. Dizem de si, contam premissas pelo ar, numa tentativa de auto-compreensão. Depois admiram-se que a mensagem, trabalhada pelo próprio vento e em permanente guerra com a percepção dos demais, torne-se mal conceptualizada por ouvidos que nada de mal têm no seu centro. É isso, só isso. Nada de mais.
Era hora de ver que estamos entre os nossos. Somos pessoas e temos a liberdade de fazer o bem, ou o mal, mas temo-la...à liberdade de agir conforme aos nossos temperamentos irregulares, trabalhados por esta forma de estar...perto ou longe.
Eu aqui fico. Sem grandes esperanças. É que cada segundo traz-me novidades...e as vontades loucas desta manhã dão lugar a outros sabores, novas cores, amores e dissabores. Mas sem medo. No final do dia, se olhares bem para cima, as estrelas de ontem ainda lá estão...apesar de tudo.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

Espaço vazio.


De horizonte desfeito, a caminho de ninguém, os passos seguem outras passadas de vagabundos perdidos. Oh que vontade de desaparecer, para onde as ondas deixaram de ondular, onde o vento há muito não sopra, para aqueles lugares onde nada importa...quais meios sonhos encravados em memórias de quem deixou de dormir.
Que parem as histórias, não merecem ser contadas. Interrompam a marcha dos comboios e façam aterrar os aviões, calem os cães da vizinhança e adormeçam o choro das crianças. Faça-se silêncio. Ali...não se canta o Fado, nada se diz ao passageiro, é deserto de morte...sucata de corações avariados.
Um rio de águas paradas, vermelhas escarlate, imundas e infectadas, não passa ali...apenas ali está, onde outrora nadavam peixes prateados de asas nas costas e peitos saídos. Um rio que já não chega aos oceanos, não o ouves? Está morto.
E ali...naquele silêncio, sem olfacto e de cara tapada, o vagabundo deixou de correr. E ali...está. De espaços vazios, espaços usados, carrega vãs memórias do que foi, do que fez...quais filmes mudos de uma realidade paralela. Foi...e não voltará.