quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

\m/ ^_^ \m/


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

É Natal...mas o calor confunde-me


Estou confuso porque é Natal.
É Natal, sim, chegou Dezembro! Adoro esta época. Verdade!!
Sou daquele chatos que ouve músicas natalícias a toda a hora e coloca um riso espampanante...só porque sim. Tenho memórias encarnadas de longos serões em família. Esperas eternas pela meia-noite e pelo ritual da abertura das prendas. Em casa, tenho uma árvore de 2,10m e bolas vermelhas, enormes! ...mas isso é em casa e eu não estou em casa.
Vivo num planeta diferente, agora. E aqui o Natal chega despercebido. Saio de casa de mangas arregaçadas, óculos escuros e ligo o AC onde quer que vá...na casa onde agora durmo, no escritório, no carro...e reclamo nos locais públicos quando alguém se esquece de resfriar o ambiente. É dezembro...e está calor. Estou confuso.
Não há forma de me habituar.
E esqueço-me! Bolas, esqueço-me que é Natal.
Às vezes, quando me lembro e no meio da azáfama dos dias de trabalho de um emigrante, anseio pela viagem que me leva ao frio...aquele frio natalício que me faz sair de casa com várias camadas de roupa. Recordo os cânticos dentro das igrejas aquecidas por botijas de gás. Lembro-me como era correr atrás das últimas prendas, naqueles dias de transito louco ao fim do dia, com alguma chuva à mistura. Da lareira com lenha húmida, difícil de pegar...
Agora parece impossível...
E por isso deixo aqui um bocadinho daquela sensação, a todos os que, como eu, adoram o Natal... mas, seja porque razão for, estão com calor.

Acho que vou fazer um boneco de...areia! :)

Para todos nós! Feliz Natal!




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

...e (já) não há tempo para sofrer por amor

Estou incluso num tempo de paz
e falta-me a vontade de ser herói.
Embora aguarde o que o tempo me traz
encolhido atrás do que o tempo me faz,
forço por esquecer o que o tempo me dói.

Felizes aqueles cujo tempo acabou.
Deu-lhes asas antigas em corpos coloridos.
Relembra-me a história que há pouco secou,
com frases finais sobre aquilo que sou
de olhos fechados aos momentos sofridos.

Quero entrar em desespero proibido.
Gritar e chorar pelos cantos daqui.
Mas no fundo não passa de um livro já lido,
de histórias simples sobre um tempo perdido,
entre prédios caídos onde vivo p'raqui.

E por todo o calor que ainda tenho p'ra dar,
deixem-me respirar, não me tirem a dor!
Vão-se aqueles que me proíbem de chorar,
é que toda a lágrima faz parte de amar.
Porque quero ter tempo p'ra sofrer por amor!


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tragedy...



There's a tree by the end of that road, you see? And it's like knowing that, one day, I'll crash against it...with my 66 GTO... And I'll tare it down...and my life with it.
No reason, just pure tragedy.
And I'll look back, at that very instant...and see it all.
The center of the world, my dying wishes, the sents of my favourite Yous, the shape of my heart,
my mother's face...and the future I still don't know. Memories of You...maybe.

I don't want to loose you...but I did.
But I don't want to loose you...though you're gone.
I can´t loose you, I'm out of my mind...but you're not there.

I crave to say I'm sorry, but I have nothing to say it for...
I had to come, you see? To foreign lands...and leave you be.
To build this life...a better one, to show you for...
So forgive my not kissing you, forgive my staring, the scared child in me.
I remember dreaming about your hair in my chest. Fuck! I'm trying not to care, but I know better.

Broken glasses are now my floor,
and shapes of despair...my dying thoughts.
Chattered movements in freezing waters...my present days.

To make you my Queen, oh Queen of mine, would be my gold.
To share your books and then to die...it'd be worth a thousand lives.
To see you smile upon my life, would buy my memories of Eternity.
And nothing else could come around, to make this boy a better man!

But time goes by and you're not there.
You've given hands, for my despair...
You've walked a walk I do not care.

Who's the shadow next to you? Does it paint your present blue?
Does it make your dreams come true?

If it's the spirit you've long pursued, then I'll die far...away from you.
And mirrors of shame will make the world forget...

But if a second of your day, still gives you time to read my prays...
then I am here,

oh darling You, to make it true...



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Libertar




Pausa. Uma decisão perdida no tempo. Desacelero a respiração. Tudo à minha volta serenou. Tempo de unir os calcanhares...deliberar sobre as gavetas que me rodeiam. Em cada uma está cada um...cada uma. tempo de as fechar. Até o mosquito que teima provar-me, bate as asas lentamente. E crio tempo para mim...
Decisões. Olhar para trás e relembrar todas as decisões, mal amadas ou eternas paixões...escolhas. Apagar, "delete", "Shift+delete"...olhar à volta e planear.
Estou inerte, num tapete rolante de um aeroporto. Passam por mim manequins de olhares perdidos e a câmara filma-me à contra-luz. Não me mexo. Fecho os olhos e quase não respiro. Não preciso.
Aproxima-se a poltrona da sala de espera. Sons irradiam de pequenos altifalantes...teclas de pianos afinados acompanham este cortejo. Terminar com o passado. Eis novas faces, novos risos e sorrisos...ainda agora começou.
Aquela cativa tinha-me cativo. O vento roubava-lhe aquele caracol, era o o meu...e morreu. E beijos naquela cave de música, olhares ternos e "nãos", tantos "nãos" terminados em lençóis. A morte de um sorriso ao fim daquela tarde, porque vozes passadas se ergueram. Gritos de desespero pelo erro de amar, erradamente. Tudo isto deixou, nesta pausa, o sentido.
E naquele tapete de encontro ao negro fosco daquela poltrona, cai o cigarro da manhã...tão valioso que mata, qual sabor ao veneno de Shakespeare. Cai chocolate de leite, em árvores pendurado...invisível. Caem cabelos longos, desdenhados, desgrenhados de um cinzento gasto, velho, cansado. Caem lentes e canetas de cor... Ali estarão para o lixo os apanhar...Passado...Futuro.
De leve tacto sente-se o couro. Poltrona gasta de sonhos, eis-me ali sentado. Refaço-os, não pendentes ou reabertos. São novos, desmedidos, destemidos. Chega de abutres memórias, inconstantes "sins" e violentos "nãos". Mas porque de aspas vivi, relembrando cada momento. E daí o cansaço. A perda do medo, da responsabilidade sempre presente que esmorece os berros, risos, sorrisos e...felizes tarde ao sol, de corpos banhados, nus, excitados.
Quero sonhar com campos abertos, sem nada a perder. Quero beijar mil bocas sem me arrepender...provar sentidos de ser, gritar planetas em paz. Sentir o trigo nas mãos enquanto desafio a gravidade, de pés descalços e olhar em volta àquela luz. Sem pesos...de asas abertas à consciência. À minha consciência, de mim.
Quero gozar com fantasmas, bruxas desunhadas. E com elas por terra, não olhar para trás, jamais. Levitar sem segurança, ter fé e nada mais. Fechar os olhos à muralha, trespassá-la como fumo e confundir-me com as nuvens. Ser o meu centro e nada temer.
Chega de felicidades alheias, de tempos passados, de queques furados. Parem as comportas do sal. Encham de sangue o coração, façam-no tremer, atirem-no ao chão e livrem-se dele...só assim. Transportem vestes simples e olhos abertos de quem vê...verdadeiramente. Soltem-me as cordas que me agarram ali e ali...e ali. Solto-me, agora...porque me lembro de mim.



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

As almas dos outros



Ao virar da esquina, os outros tomam caminhos...os seus caminhos, não esperam. Têm desejos próprios e almas carregadas. Não esperam por nós. ...e aprender isso, dói. Porque cada um de nós valida em si a esperança do tempo.
Então achamos que o temos, o tempo. Esperança moída por desajustes intemporais. Factos revoltados com segundos confusos, mesmo que lúcidos naqueles momentos. Depois, perdem-se razões...porque os outros não esperam. Nem têm de esperar.
Vamos de encontro a uma parede, já dura e seca, pintada por decisões que nos ultrapassam, de outrem. Não esperarm que ganhassemos aquela clarividência astuta, que nos faria pintores daquele destino, também. Usam um martelos que tantas têm, para desenhar um portão ao lado e daí passar para um jardim já jardinado, de um vizinho atento...apicultor...que não se pica nos ferrões de um passado qualquer.
Boquiabertos encolhemos os ombros e aceitamos que eternizar sentimentos não é para todos, até porque está fora de moda...ou estava, já não sei.
Fazemos de conta que entendemos, até porque ser livre dá trabalho, responsabilidade, solidão e confusão. Corta mesmo a respiração. Então...porque não avançar depressa? Mais depressa que o nascer no sol de quem queríamos! Isso...até porque a vida é curta. E fazem-se felizes, assim...é mais simples que compreender os medos dos outros... Então arrisca-se a "felicidade". Aquela que pensam querer e...até querem.
E o que resta para Nós...ilusão desmedida. Felicidade tardia...ou mesmo perdida, mas mesmo assim uma vida.
E as nossas almas são assim. As almas dos outros não.





domingo, 6 de outubro de 2013

O meu maior presente...

E hoje, só porque sim, apeteceu-me mostrar-vos que, afinal, sou um sonhador. Acredito em tanta coisa! Mesmo! ...e ainda assim sei que estou errado. Ou antes...não. Mas que devia ser diferente, mais racional ou...não, também não é essa a palavra...mais Normal. Sim, normal. Até porque hoje ser normal dá jeito. Ser banal, casual, básico, entorpecido sei lá. Porque tudo o que é exagero passou a ser mau. Chama demasiado à atenção. 

Mas não consigo, desculpem. Nem quero...apesar de saber que estou errado. E depois...depois já não conta se estou como estou, se sou como sou, porque assim sou... E não vou mudar de face, nem vou amar diferente.

Correndo o risco de parafrasear canções, aqui vos digo que não, não sou o único. Há quem ame como eu e não se deixe apanhar pela nostalgia da normalidade... e deixam-me agoniado os que se entregam à insustentável leveza de não ser livre.

E a responsabilidade de ser livre é a mais pesada. Porque quando beijo atravesso paredes e subo acima das nuvens. Voo com águias e subo montanhas...dou a volta ao mundo e mergulho em corais. Só isso, afinal.

Então aqui vos deixo um pouco de mim, das minhas crenças, dos meus medos e tropeços. Até porque há quem o veja...como eu. Em dois textos, não meus...porque tantas vezes não o sei dizer. 

Aqui vai um deles, não o mas um meu texto favorito:

http://yourouterspace.blogspot.com/2013/10/elogio-ao-amor-por-miguel-esteves.html


E sim, também sei que quando amar de novo, para ela, serei assim:

Uma tradução de: Il Regalo Più Grande - Tiziano Ferro

O meu maior presente

Quero dar-te um presente
Uma coisa doce
Uma coisa rara
Não um presente comum
daqueles que se perdem
nunca aberto
deixado no comboio
ou nunca aceite
Daqueles que abres e choras
que ficas feliz e não finges
Neste dia de meio Setembro
Dedicar-te-ei
o meu maior presente 

Queria dar o teu sorriso à lua para que
De noite quem olhar para ela possa pensar em ti
Para recordar-te que o meu amor é importante
Que não importa o que dizem as gentes porque
tu me protegeste com os teus ciúmes e ainda que
por muito cansado, o teu sorriso não ia embora
E tenho de partir mas sei-o no coração que
a tua presença será sempre uma chegada
e nunca uma partida
O meu maior presente

Queria que me desses um presente
Um sonho não expressado
Dar-mo-ias agora
Daqueles que não sei abrir
Em frente aos outros
Porque o maior presente
É nosso para sempre

E se chegasse agora o fim
Que fosse borratado
Não por quereres odiar-me
Mas só por quereres voar
E se te nega tudo, esta extrema agonia
E se te nega também a vida, respira a minha
E estava atento a não amar antes de te encontrar
E confundia a minha vida com aquela dos outros
Não vou fazer-me mais mal agora.
Amor...
Amor...

E depois..
Amor dado, amor tido, amor nunca visto
Amor grande como o tempo que não desistiu
Amor que me fala com os teus olhos à frente
És tu, és tu, és tu, és tu, és tu, és tu, és tu, és tu
O meu maior presente


Elogio ao amor por Miguel Esteves Cardoso

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há!

Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "Tá! Tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.O amor é uma coisa, a vida é outra.

A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos.A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

..à primeira vista.


Um passo mais perto de encontrar a razão pôs-me a pensar. E não, não sou retrato de acontecimentos presentes, nem passados, por falar nisso. Muito menos futuros. São só considerações inequívocas de um observador das nuvens. E por isso me pergunto...à primeira vista, será assim possível?
Assim...porque sim. Olhar um retrato, uma fotografia, uma imagem digital...e saber? Imaginar uma voz, um sorriso matinal, um beijo carnal...e saber? Pura imaginação e sentidos alerta...saber que sim, que se pode amar, mesmo sem saber, mesmo sem tocar, ou até compreender. Pura imaginação...e fé, porque não Fé?
À primeira vista, um clique...o famoso e alvo de tantos dizeres...clique. E borboletas no estômago, respiração interrompida, mãos geladas, pernas que tremem e tantos outros sabores. E sonhar, sim sonhar, pensar, acreditar, imaginar. Amar...mesmo sem (te) conhecer. 
Chamem-nos loucos ou outra coisa qualquer. Porque sabemos que sim...ou até que não. Mas sabemos! E nada no universo pode mudar este saber que sim e que não, quais gotas de chuva teimosas em cair e não voar.
E depois...depois? Não interessa. Caem sonhos por terra ou montam-se paraísos em céus desenhados com sóis poentes. Que mais interessa? É verdade! E passar por lá é viver de arrepios, choros em cantos caídos ou gargalhadas de portas abertas. Que mais interessa? E vale a pena sofrer...ou gritar de alegria, por tais sensações. Porque só o tempo vale e aterrorizem-se aqueles que o deixam passar.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sonhos tropicais (1ª Parte)


Um dia de calor, abafado e sem aquele vento necessário ao abanar das saias das beldades que por ali passam. Cada parede esbranquiçada é palco de encostos vagabundos, suados e (des)aperaltados, ao som de batuques e guitarras tropicais. O som é sensual e convida à perda das já poucas indumentárias de um verão eterno. Mas os corpos afastam-se com este calor, digo eu.
Perto do sol alto, as ruas de paralelos mal amanhados ficam vazias. O som, esse, é continuo e a falta de vento deixa-o cair pela calçada, ecoando graves batidas, quentes, ritmadas. Adoro passear por ali, nesses poucos momentos de quase nenhuma, agitação. Olho para cada esquina, cada vão de escadas e imagino peças femininas deste puzzle, para ali deixadas. Gosto de pensar nas saias curtas e folhadas da noite, que sensação vê-las de dia, neste aquário sem água, aquecido pelo mais quente dos sóis.
Na pequena esplanada ali perto, ouvem-se gargalhadas por entre as notas desta música contínua. São os mais velhos que de mãos pousadas nos dados, reclamam vitórias e derrotas contra as cartas. Reis, Damas, Valetes, tudo vale. Até os cães vadios apanham as poucas sombras por debaixo das mesas deste jogo forçado. São espectadores simples que não recusam cada migalha involuntariamente despejada dos gritos dos jogadores.
No andar de cima deste café vivem as voluntárias. Seres adorados, adoráveis, quentes e meigos. Adoro este nome, ou alcunha, as "voluntárias"..que de cabelos apanhados variam por entre as ruas deste posto. Caminham em saltos como se os paralelos fossem lisos, quais chãos milionários de mármores importadas. E ali andam, vistosas, voluntariosas, amorosas, a ajudar quem quer amar. Doces figuras vestidas de branco por causa do sol e peles morenas, banhadas de um suor perfumado.
Sento-me num degrau desta casa, de pernas estendidas para aquela rua. Sujo as calças brancas que visto, não porque gosto, mas porque sim! Porque quero misturar-me entre a multidão. Sou de fora mas por aqui passo momentos. Puxo de um cigarro, apesar do calor, e delicio-me com sorrisos, os meus, de cabeça tombada...observo.




terça-feira, 27 de agosto de 2013

Tanque vazio



Olho para as teclas do meu PC e de seguida para os meus dedos. Já não tenho como. Quero escrever um conto, mas porquê? Para quê? Algures por aí, no tempo, aquele sentido deixou de se fazer. Bolas...e eu que gostava tanto, mas...carrego no teclado e sinto que caminho em areias movediças. Já não me sei exprimir. Parece-me tudo simples demais. Parecem mentiras atiradas ao monitor.
Quero contar-vos uma história, a minha história. Mas até essa deixou de se comprometer...nada espero, por isso não sonho. Isto é, sonho com os sonhos e deles nada retiro. É de um vazio que me incomoda, caramba. De alguma forma quero fazer-me chorar, mas perco antes os sentidos...porque já não sei chorar. E então arregalo as sobrancelhas e paro de escrever...
Sinto o sangue a cair destes dedos doridos e a tecla "delete" está gasta! Está tudo tão vazio, perderam-se as ilusões.
Recordo quando aqui chegava. Depositava tudo e de tudo um pouco. Mas agora as nuvens bloqueiam o sol e a noite já não me trás a lua...está apenas ali, outra vez. E as estrelas, oh...as estrelas, nem para elas olho. E todo aquele fervor e toda aquela esperança e alegria e tristeza e vontade e....sei lá mais o quê? Onde estão? E Grito GRITO!!!!! Porque nada sinto. Afinal. Mas porquê?
Quis perder-me numa só voz, um dia. Numa só estrela. Mas não me perdi. Ganhei, perdi, sei lá. Agora solto suspiros violentos que sabem a água. 
Ao meu lado estão janelas fechadas, de portadas fechadas. Portas fechadas, gavetas fechadas...e já não me pergunto porque não as abro...deixo-as assim, é mais fácil. O dia está lá por fora, ou mesmo a noite, já não sei nem procuro saber, mas estão lá...todos os dias. E todos os dias os (não) vejo...porque para ali estão...como eu.
E por isto (já) pouco escrevo. Porque (já) não sei...não o sinto. Talvez depois, quando houver conserto, qual concerto à meia-noite.



I really don't know clouds...at all


It's Love's illusions that I recall
I really don't know love...at all.

domingo, 28 de julho de 2013

A rapariga dos jeans


Caminha com um sorriso tremido, quando está sozinha. Porque conhece um pouco do mundo, já nele caiu. É de uma beleza sincera e escondida. Aos olhos da multidão é uma flor simples e algo séria, faz de propósito...porque não procura a atenção, consegue-a simplesmente.
Veste uns jeans e uma t-shirt, não precisa de mais. E a face é pintada pelos elementos, creme de um sol de inverno, sem querer parecer. Uns olhos verdadeiros...sim, verdadeiros, que mais dizer?
Vejo-a tilintar enquanto dança sozinha num palco vazio, entre folhas espalhadas pelo Outono. Sorri até entre elas tombar de braços abertos...ali pode sorrir sem medo dos medos que tem.
Já não procura compreender os outros, observa-os. Vive sem exigir nada das montanhas e para elas olha com a força de uma tempestade, imponente, atrevida, capaz de tudo mudar. E mudará.
Reconhece a essência do outro, não a deseja mas compreende-a. E aceita-a. Com medo, sim, quem não treme quando recebe um diamante? Mas usá-lo-á porque é (será) só dela.
E nesse novo mundo, acredita...não porque tem razões, mas porque acredita. Simplesmente. Sabe que amar não pode ter razões, porque as razões mudam com a história. Sente, só! E espera vê-lo na manhã seguinte, apesar do íman do resto do mundo. Ele é chamado porque brilha...e o brilho atrai...trai.
O medo das outras confunde-a, porque sabe... Sabe que o vento leva o seu amor pelo mundo, porque este tem asas, mas tra-lo-á de volta...ao fim do dia, incólume, virgem, só seu. E nisso vive...porque conhece a verdade!
O seu amor é um Homem. Tem a sorte no peito. Simples aos olhos de si próprio, mas confuso no mundo...vêm-no como estrela de uma história de filmes. A sua fé contorna as mesas tombadas...é especial, mas não o entende, sabe-o apenas. E tudo o que faz, faz porque sabe...e porque quer. É rei de uma palestra e nas tribos onde vive alcança o lugar de estrela...intocável. Sim, de facto, O intocável. E disso está farto, o amor da rapariga dos jeans. Quer ser menos mas não sabe. Quer ter menos, também, mas a sua sorte prefere maltratá-lo, ainda assim. E dá-lhe mais. Tem um sonho apenas...encontrar as jeans atiradas para o chão, numa pista de roupas espalhadas até ao leito onde dorme, onde beija, onde sonha...onde ama...a rapariga dos jeans.
E ela é feliz! Tem sonhos de menina e atira-os à cara. Sabe que o desejo move o seu coração. Irracional, simples, verdadeiro....como o ama. Sem saber porquê, mas sem perguntar.





domingo, 14 de julho de 2013

e Deus ri :)

A ti...não sei se te conheço. Quero dizer-te que te espero ao fim do dia, debaixo de um sol poente. O mundo não entende, sabes? Que debaixo de toda a força, debaixo de cada sorriso, está aquele vulto curvado. E tudo o que tem para agarra-se é uma fé constante na premissa que, um dia, apareças...e fiques.
Quero perder-me em ti! Ser o teu canto quando dormes, o espelho quando sorris. És a minha canção favorita e quero cantar-te a vida inteira. Quero aprender-te. Ser o teu melhor amigo e respirar-te cada segundo.
Onde estás? Com quem andas? Quando dormes, alguém te protege e observa?
Eu? Não sei. Já não me lembro de sorrir...mas sorrio a cada segundo. Estranho não é? Porque sorrio na esperança de um dia dar gargalhadas contigo, na roda gigante de uma feira qualquer.
Já perdi tudo, sabes? Mesmo tudo! Mas levantei-me...devagar, até chegar aqui. Mas daqui não saio mais, até te encontrar. Porque já nada sei.
Mas quem sou eu para dizer que um dia aqui estarás? Porque o homem planeia...e Deus ri.


sábado, 13 de julho de 2013

O que quiseres









Sabes? Eu vivo num sítio onde quase tudo acontece. O lixo amontoa-se pelo chão à beira das poucas valetas mas os pássaros são de um laranja incandescente. Fala-se uma língua rápida, bonita e viciante. Os cães vagueiam pelas ruas e procuram refúgio por baixo dos cantos deixados pelo homem. Assim partilho tudo o que sou. Alegre, bem-disposto e ás vezes melancólico...com tudo isto.
O tempo passa e os sonhos ganham formas diferentes. Já pensei correr atrás deles, mas as rugas do caminho são incontroláveis e, aqui, tudo acontece de mãos abertas. Engana-se quem pensa controlar o destino (no qual deixei de acreditar).
Os sons do meu iPod valorizam o abrir dos olhos, pela manhã. Tropeço em expectativas engraçadas. Será hoje? Ou talvez não...até nem importa. É isso mesmo, já não importa. Estou algo cansado de teorias...aqui não se aplicam.
Queres mesmo saber? Os valores estão lá, dentro de cada um e não vão a lado nenhum. É com eles que EU vivo. Tudo o resto são consequências de actos pensados, ou não, mas que moldam cada dia.
Ainda acho uma certa piada ás reacções valentes, ardentes mesmo, das vítimas de si próprias. Dizem de si, contam premissas pelo ar, numa tentativa de auto-compreensão. Depois admiram-se que a mensagem, trabalhada pelo próprio vento e em permanente guerra com a percepção dos demais, torne-se mal conceptualizada por ouvidos que nada de mal têm no seu centro. É isso, só isso. Nada de mais.
Era hora de ver que estamos entre os nossos. Somos pessoas e temos a liberdade de fazer o bem, ou o mal, mas temo-la...à liberdade de agir conforme aos nossos temperamentos irregulares, trabalhados por esta forma de estar...perto ou longe.
Eu aqui fico. Sem grandes esperanças. É que cada segundo traz-me novidades...e as vontades loucas desta manhã dão lugar a outros sabores, novas cores, amores e dissabores. Mas sem medo. No final do dia, se olhares bem para cima, as estrelas de ontem ainda lá estão...apesar de tudo.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

Espaço vazio.


De horizonte desfeito, a caminho de ninguém, os passos seguem outras passadas de vagabundos perdidos. Oh que vontade de desaparecer, para onde as ondas deixaram de ondular, onde o vento há muito não sopra, para aqueles lugares onde nada importa...quais meios sonhos encravados em memórias de quem deixou de dormir.
Que parem as histórias, não merecem ser contadas. Interrompam a marcha dos comboios e façam aterrar os aviões, calem os cães da vizinhança e adormeçam o choro das crianças. Faça-se silêncio. Ali...não se canta o Fado, nada se diz ao passageiro, é deserto de morte...sucata de corações avariados.
Um rio de águas paradas, vermelhas escarlate, imundas e infectadas, não passa ali...apenas ali está, onde outrora nadavam peixes prateados de asas nas costas e peitos saídos. Um rio que já não chega aos oceanos, não o ouves? Está morto.
E ali...naquele silêncio, sem olfacto e de cara tapada, o vagabundo deixou de correr. E ali...está. De espaços vazios, espaços usados, carrega vãs memórias do que foi, do que fez...quais filmes mudos de uma realidade paralela. Foi...e não voltará.




quarta-feira, 26 de junho de 2013

Saudade(s)






Viajava ao fim do mundo,
gritaria às nuvens altas.
Contaria as minhas faltas
e o que vai aqui bem fundo.

Sinto falta da calçada,
das paredes encolhidas,
dos amores e das comidas.
De cantar a uma amada.

De dançar pela calada,
ao som da voz sumida
pelo excesso de bebida.
E de não saber de nada...

Recordam-me momentos.
Cativam-me as cativas
e são doces salivas,
com mãos de beijos lentos.

Voltar a "casa" minha.
Correr pela cidade,
sem nenhuma saudade.
 E caminhar por esta linha...




sábado, 22 de junho de 2013

...e aos quadradinhos também se vive.

A verdade é que já não me lembro da última vez que escrevi uma página original, parecem-me todas iguais. Não porque usam as mesmas palavras, nem as mesmas canções. Não, nada disso, parecem-me iguais...iguaizinhas, quais gémeos vestidos a rigor. O sol nasce em cada dia, no mesmo ponto, no mesmo minuto, com as mesmas esperanças e os mesmos medos. E à noite, quando o breu se espalha pela minha existência e desmaio entre lençóis, o resultado é um espelho de tantos momentos, como que iguais.
Parecem espaços vazios na minha história...literalmente vazios.
Lembrem-se de mim, contam os mais profundos desejos do homem. Lembrem-se de mim. Contem histórias a meu respeito! Porque já fui rei, já lutei contra exércitos e não olhei para trás. No topo da montanha já ergui bandeiras e toquei trompetes que anunciavam vitórias...tantas.
Caramba! O  fumos da cidade acordada já me afagaram os passos, enquanto de laço dançava uma valsa ao som daquele violino, frente ao teatro onde os tenores cantam tristezas. Meu antigo amor...presente vazio, também tu. Lembras-te? E em areias saltitantes à passagem dos peixes maus, viram-me sentado à sombra de  uma folha de palmeira, segura pelas mãos de um selvagem.
Agora não. Acordo de olhos fechados, à procura de mais um sonho. Divirto-me com colegas de carteira, de outras escolas, de outras vidas...são minhas testemunhas de minutos sem quê. Parecem-me vultos de dedos acusadores. E o brilho, bolas! O brilho que reclamam de mim, porque sim! Ou porque não! O Tio que virou Principesco porque na praia cantou. A revelação daquela praia, daquela aventura.
Mas a mim...quem me explica a falta de originalidade deste homem desabrigado? Sim, porque se abrigados fossem os seus dias nada mais queria de si. Mas ainda quer o Mundo! Sem saber como ou porquê. Ai está!
Esqueci-me dos invernos de outros tempos, aliás, esqueço-me rapidamente, facilmente até, que a escuridão já foi fiel amiga. E que sou normal, Ui! Isso não, ou até sim, porque não? Talvez...não! Decididamente e outros tantos 'mentes, ainda cresço ao segundo! Tipo aqueles miúdos que escolhem os cadernos no hipermercado para o primeiro dia de aulas! Assumo-o. Então tudo parece florir. Não é fácil.
Alguém escreveu um dia uma canção que canta sobre promessas vãs. E reclama que o avisam que o brilho desvanecesse, que a idade trás a calma do espírito e que as cores acinzentam a vida. Mas não acredita. Porque tal como ao Vinho do Porto, minha cidade e meu canto de fuga aparente, o tempo não acusa velhice. E a criança não vai deixar de correr. Mas somos tão poucos, Porra! Tão poucos! Saudosismos à parte...o levantar do avião ainda me faz sorrir. O azul das cadeiras de veludo ainda me parece luxo e os olhos de uma mulher são símbolo de beleza, única e transparente.




sábado, 1 de junho de 2013

O (meu) Caos



Alguns de nós sentem a brisa de um mar longínquo  Batente de esporas gastas nas costas queimadas. O som triste de um violoncelo que arbitrariamente toca sons de vários tons. E inspiramos calmamente aquela maresia. Que dias quentes.
E lá fora vejo as árvores de um verde apagado. Quero contar. Gostava de o saber fazer. Somos seres de histórias falsas ou verdadeiras e queremos dizê-las. Mas sentimos mais que simples palavras... Era uma vez eu, aquele que grita sem se ouvir. Os troncos desta floresta já cá andam há muito...e também eu.
Mas dizer o quê? Que sou feliz? Mentiras graves encontram-se por aí.
Há quem seja esmagado, apertado, malfadado por este mundo. Paredes que se estreitam à sua passagem. E ali morrem embriagados, pelas drogas que ofuscam a aflição. De músculos trabalhados pela força da pressão, gritam bem alto que querem conhecer a liberdade. Mas quem os ouve?
O caos. Cadeiras caídas pelo jardim e um pátrio abandonado às folhas da escola, rasgadas, escritas pelos que ali se sentam. O Caos. Mundo perfeito aos olhos dos incultos. Pensar? De braços abertos apreende-se a vida, aliás,deixa-se passá-la.
Outros em cantos ocultos adormecem a alegria. Revoltam-se e de escuro vagueiam sem querer aparecer. São vidrados na morte, porque a vida é incolor...aos seus passos.
Eu? Eu não. O caos, prazer deslumbrante de quem  quer mais. As paredes a mim não me querem. Afastam-se devagar quando caminho, vagueio. E as árvores abrem os ramos para o sol entrar. E mais, mais, muito mais. Este pedaço redondo não parece chegar, mas o universo tem a cor errada...devia ser azul.
Vejo tanto. Suspiros profundos acompanham-me a cada mergulho. Sem esforço derroto as sensações assombradas.O que são elas para mim, afinal? A liberdade do indivíduo é aterradora, porque o sonho deixa de o ser e a realidade, essa, afaga os cabelos desgrenhados deste vagabundo.
Vagabundo...que nome patético mas eficaz. Vagabundo, pelo caos que assusta os outros. Não vejo estrelas. Já as vi e nelas acreditei, mas mais não. A escuridão que as realça deixou de atormentar os desejos de quem não lhes toca. Procurar uma, em especial. Uma estrela vagabunda. Porque não? Mas elas são-me impunes pela sua própria condição. O sol já pertence a todos, qual prostituta fácil e sazonal.
O caos. Capacidade voluntária da sociedade moderna, onde vivo, onde pertenço aos poucos. Sou actor de novelas dramáticas e rio às gargalhadas quando a câmara me foca. E não compreendem que o faço porque posso! Porque o meu jardim já ardeu e o que havia a perder ficou em cinzas. Cinzentas estrofes em fila indiana pelos meus anos, tantos. O caos, dá-me vontade de rir. Não é meu...só o acendo ao abrir a janela dos meus olhos.
Por vezes encontro-me só. Tudo é escuro e a mais ténue abertura no telhado deixa escapar a imagem. Há estrelas la fora, afinal...e algumas brilham incandescentes ao meu olhar. Sem memórias, catapulto vontades de voar...outra vez. E por momentos, dias, levanto os desejos ao altar como quem corre por gosto...hábito malfadado dos heróis. A esperança ofusca o passado e pelo cimento destas estradas entrego-me ao querer. Porque não? Arranco os sorrisos que me perseguem e atiro-me com todas as forças ao céu...quero tocar-lhe, tocar-lhes, escolher, decidir, afrontar, amar... Uma, ou outra, ou ainda outra. Sorriem-me de volta, as estrelas brilhantes, como quem verdadeiramente gosta deste jogo. O gato persegue-as como luzes inquietas numa parede tão escura, de olhos arregalados e expressão carregada. Quero uma...uma só!
Mas o meu brilho destrói os seus interesses. É demais, quem quer ser rainha de um imperador que só deseja rir e brilhar? Quais interesses mentirosos de quem só sabe ser feliz...e fazer feliz. Repetidamente, fortemente, alegremente... Isso não! Viver com luz eterna? Nunca! E então desvanecem o brilho e escondem-se atrás da escuridão de quem não brilha. Hábitos estranhos, loucos até... Ou então não brilham e querem brilhar! Roubar o brilho de quem com ele nasceu! E aí batem com força no vulto sorridente, inerte, cujo brilho não podem furtar, porque já houve quem o fizesse. Esse agora brilha sozinho e brilhará.
Então adormeço em descanso e acordo de novo...já é dia. E as estrelas partiram de novo...e o sol brilha, outra vez. Para sempre, no caos perfeito de quem sorri de olhos bem abertos. O caos, meu companheiro eterno, minha calma vagabunda, meu aspecto, meu dia alegrado ao som de gargalhadas...porque sim!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Hope



And if ever my real exsitence looks back, and sees all the stones dropped upon me, remaining nothing but a few short memories of what was...then I'll know, all was worth it.
My deepest dreams rely on that spirit of the above. He who knows me better than I.
All the desires I've had he set up front, and the definitive and the proclaimed...he gave to me. All but one...yet to be revealed. Yet to be served on the outskirts of this existence.
No one knows but I'm still lost. Nobody scares this piece of mankind, while singly walking despite the hero.
I breathe over it, every day...every night... Will the shining ever be real?

Hope isn't lost, not yet...just me.




segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cadência estelar



As pausas são parte de mim! A corrida deste homem exaspera os que pouco compreendem. Largam-me feitiços imperceptíveis, roubam-me bocados de ser. Então acendo as mãos e aceno aos visitantes...sou humano, em especial.
Sorrisos mimosos, ardentes amizades e frescas memórias! Quem sois? Quem fui? Beijos atirados à sorte...quem sou?
É debaixo de água que me encontro, ao som de baleias estrangeiras que pouco me vêem, mas perseguem o meu caminho. Facetas incomuns...gargalhadas sinceras.
Corro debaixo de uma estrela, sabes? É enorme e sombra em dias tórridos! Protege-me da chuva mas deixa-me viver molhado! Dá-me a luz quando tropeço, mas funde-se no coração das pétalas doces. Qual vida concebida numa só flor...
E este homem tenta, onde as formigas rastejam, minhocas torneiam círculos nojentos, agarrar a estrela, a própria vida. Soam alarmes impunes! Ouvem-se gritos sumidos, choram-se vagas loucuras.
Onde me levas?
Até ao sol? A caminhar na lua?
Fui astronauta! E aí te apanhei, estrela cadente, no meio de bailes perdidos por entre galáxias!!! E desde aí me segues! Por onde me levam...mas, onde ficas quando sou eu que te quero levar?

domingo, 21 de abril de 2013

porque os anjos nos rodeiam.








...foi então que ao atravessar oceanos, conheci que os anjos vagueiam no que vivemos. Promessas perdidas por entre os livros, de um azul lacrimado, caem-nos nas mãos como leves tropeções.
Olha para o sol e esquece-te. Leva os preconceitos ao mar e afoga-os, pois não os mereces!
Viver do que se precisa é fácil...basta existir! Viver do que se Quer?...apesar de sermos todos humanos...requer a essência de uma existência brilhante!



domingo, 7 de abril de 2013

Dear diary

Dear Diary,

I live in Paradise, you see? I look out my bedroom window and palm trees greet me in the morning. The sun barely goes down. It's hot you know? Every morning I open my eyes and have difficulties remembering last night's troubles. But then it hits me, you see? and all the sun, and the blues and the yellows become grey. And what I think is, when I grow up, all the grey will stay away. That's it isn't it?
Remember...I once told you all my dreams were becoming real...all of them. Why should I be the one rewarded with such impossibility? Why, despite all the great protection He insists on spreading upon me, why do I still feel as a lonely soul? And that kills all the dreams...what are they for?
No...I'm not suffering from the same order. I'm not dying on the thought of my pain. I'm thinking that my life is wrong, you know? Even when all I can do is everything, being me covers all senses of happiness...because nothing seems good enough. Nothing...I'm...a beautiful bat wandering the night skies. Lonely as a star, seen by all, touched by no one. That's why I grieve, next to "the" ones who use my proximity.
And then I go back to my paradise, the one with the palm trees, where I can swim and get tanned, where I can play the younger games that make me feel like time stopped, but it didn't. And tears role down my soul...yes, as dark as it may sound, I still have one, covered with shadows, wounded by my own self inflicted pain.
My greedy desires kill all chances given to me. Yes, they do! Eve when a beautiful smile touches every inch of my skin, I find reasons for not letting it in. I invent moments, dreams, thoughts to scream out loud that I'm not ready for happiness, you see? Oh dear diary, if I could only make someone understand...but I can't.
Will I ever be able to smile again? Really, smile! Will someone ever be strong enough to hold on, despite all the insecurity? Despite all my broken bones, broken soul, broken heart? Are they really? I thought I was supposed to be strong...I thought I was. But when you get to the point of knowing you run away from all that makes you happy, to embrace what leaves you be. Expecting what lies ahead to conduct what lies right now...then why be strong? Why try harder when everything is a surprise?
I suffer from the disease of the free spirited, of the eternal dreamers. That's why I'm lonely, That's why I cry, before I laugh.
This is my paradise, my diary.


segunda-feira, 25 de março de 2013

O outro lado do búzio - Capítulo I


ATÉ UM DIA

De olhos cansados, o velho contava a história. Era um senhor alto, cabelo todo branco já afectado por uma calvice precoce mas que teimava em não ceder. Vestia um colete beije de lã, por cima de uma camisa branca de colarinhos bem engomados pela Deolinda, sua actual companheira de limpezas. Uma mulher delicada, magra e ternurenta, que às segundas e quintas aparecia por umas horas em busca de uns quantos dinheiros, em troca de uma cozinha asseada, colarinhos tratados e dois dedos de conversa.  Qual jogo de cartas de um só naipe, bem se lembrava da sua empregada favorita, muitos anos antes, com o mesmo nome.
Estranhos eventos repetitivos até nos mais leves pormenores.
Olhando pela janela para o brando frio que se fazia sentir, era Novembro no hemisfério Norte, o velho respirava calmamente, deleitado na sua poltrona usada, companheira de leituras e algumas aventuras. Com uma voz suave, algo sumida, recordava momentos. Sim, é isso. Momentos verdadeiros das suas passagens por ali e por aqui. Por aí.
Com alguma emoção contava as histórias. Para quem ali estava, de braços e abraços, junto à lareira da casa nova. E chamava-lhe nova porque todos os anos esta mudava. As paredes, os cortinados, os quadros nas vastas paredes, até a disposição das mobílias. Era assim há tantos anos, que parecia nova. Os parentes mais novos chamavam-lhe, a título de brincadeira, a quinta-dimensão. Pudera, a cada Natal a visão mudava, pareciam estar em diferentes países. Por muito que tentassem subornar a Deolinda, nem esta contava os segredos desse ano. E depois as histórias. Essas, ainda que verdadeiras, pareciam saídas de um filme. Quem viu o Big Fish, com o grande Albert Finney, sabe do que falamos.
Era uma vez um miúdo, começou o velho nesse dia a contar. De caracóis desgrenhados e pele morena, o miúdo expressava um olhar inconstante. Dir-se-ia que sabia alguma coisa, talvez tivesse aprendido cedo demais, quem sabe. Ou então parava no tempo, afinal, para quê crescer? O miúdo parecia saber que os adultos tinham razão. Sim, quando somos miúdos temos momentos de grande felicidade! Completa, despreocupada, sorridente, felicidade e liberdade para a sentir. Temos um só coração, para sentir o que se passa. Mas os adultos, parecem ter dois mais pequenos, saídos de duas metades de um maior que se partiu.
Estava um dia solarengo e a paisagem era de um Outono colorido. Ali, as árvores pintavam o céu de castanho, amarelo e algum vermelho. Era uma terra inclinada, cheia de verdes organizados e casas de madeira. O miúdo, de sweatshirt amarela e umas calças de fazenda aos quadrados, caracóis despenteados e olhar distante, fixava-se na viatura azulada que se preparava para partir.
Podemos pensar que é uma história triste, até. Mas não, o velho sorria apesar da pequena lágrima pousada no olho esquerdo, no fundo é uma história bem feliz.
O carro azul partia com uma família simpática, pai, mãe e um casal de filhos. Ela, mais nova que o miúdo, de feições organizadas, parecia saída de um desenho animado. Era bonita, pensava o miúdo, muito bonita. Ainda hoje é, apesar da idade, pensava o velho. O seu irmão era um rapaz sardento, tímido e de pele muito branca. Naquela altura diziam-se os melhores amigos, o miúdo e aquele jovem de nome Duarte. Sim, estudavam juntos na primária e desde o ano anterior durante a segunda classe, tinham passado a andar sempre juntos. A família do Duarte ia passar uns dias à aldeia de um dos pais, não se sabe bem qual. Saiam no BMW azulado dos pais, carregado de malas e com aquela família, completa. O miúdo, de braços levantados reclamava um curto adeus, até segunda. Vocês vão, eu fico. A minha família, este ano, fica.
De olhos no horizonte, o miúdo via o BMW azulado a desaparecer. Logo depois saia a correr pela rua abaixo em direcção a casa.
Pelo caminho pensava. O miúdo recordava que pouco tempo antes, também ele tinha uma completa. Uma família, isto é. Coisas da vida, habituou-se a dizer. Nunca se rendeu à eterna pergunta - Porquê eu? - não, haveria razões. E de sorriso estendido corria para quem lhe restava. Afinal, após a partida Dela aprendeu que tudo continuava, ainda que diferente, mas continuava. Ela ensinou-lhe que não é adeus, mas até um dia.

(continua)



terça-feira, 19 de março de 2013

Marcas de água




Parte II

E se algum de nós soubesse o que aquela rua traz, não se cometiam tantas fealdades, tais crimes reportados por livros vazios. Oh espaço meu, que me arrebatas com sonhos tremendos. Já não me lembro de confiar. E porquê? Os presentes agem como no passado e os passados atiram-se ao presente com a mesma força, com a mesma incerteza, com a mesma traição!
E dizem que não! Criticando os passados, as passadas, vá! Tão tristes personagens que não vagueiam que não em memórias...afogadas.
E de um vermelho acinzentado, as marcas de água nas mãos dos lesados, ali permanecem!...e ainda perguntam porquê! Ainda reclamam terceiros e terceiras por acções despegadas...como? Terá tal ira vontade de no nevoeiro se ir? Não! Há, sim, que defender o castelo, porque os buracos das bombas lançadas por catapultas venenosas, ainda ali estão...de pedras caídas nos carros de feno...onde outrora se deliciavam os unicórnios da fé.
Eis aquela rua, tão cheia de esperanças, tão cheia de verão...para quem quiser. 
Espera-se pouco. Espero por nuvens carregadas de noção...aquela noção de liberdade nervosa, as dos crentes, sabes?
Então espera-se pouco, recusa-se nada...o que interessa é estar...

sábado, 16 de março de 2013

Marcas de água



PARTE I

Outro dia passei nesta rua. Uma rua larga, cheia de vida. As portas das casas entreabertas e um aroma a chocolate quente. As flores penduradas nas janelas dos alpendres faziam lembrar um quadro de Monet. As velhas, essas, bailavam de braços pela cintura, agora para a esquerda, agora à direita, como se ali ninguém passasse. Em cada homem, como que num sonho cinza escuro, notava-se a alegria escondida dos mineiros, quando chegam à superfície. As crianças não corriam, pareciam estafadas, ainda que coloridas a lápis. Oh, o céu...manto azulado num fundo branco de nuvens de algodão. 
A calçada era escarlate, com pétalas de tulipas espalhadas por pássaros rasantes...quais andorinhas fora de época, porque o tempo era fresco...estava fresco. 
Do meio da rua ouviam-se palmas. Passava ali uma noiva, vestida de verde, um verde claro que destoava da paisagem, com o noivo firmemente agarrado aos portões da entrada. Do lado de lá chovia...do lado de fora, mas ali não. 
Por isso ali passeava, eu. De negro vestido e laço apertado...ou seria um traço negro do pescoço até ao cinto? Já não me lembro. Mas ali andei, de olhos abertos, fixo naquele desenho colorido. Afinal, lá fora chovia...mas ali não.
Nada faltava,nem sequer razões. Nada que fizesse pensar que, umas luas mais tarde, pudesse ali chover. Naquela rua solarenga, feita à medida de uns sonhos do vagabundo contador de histórias. 
À entrada lia-se, numa placa elevada, Alameda da Fonte que Seca. Fazia sentido! Lá fora, fora da rua, o vento atirava a chuva de uns telhados para uns alpendres. Violentamente molhava cada vulto que, bem no fundo, passava a correr como quem foge dos lobos. Ali, na rua das cores, o sol parecia não mexer, nem com a sombra das horas, nem com a força da noite! 
Às vezes, penso que a sorte foi culpada de, um dia, ali ter entrado. Outras vezes, que num dia perdido, sem eira nem beira, saí a correr de sapatos trocados e contra todos os sentidos deixei-me levar. Sim, é isso, estava cansado e deixei-me levar. 
Hoje? Nesta rua há poças de vinho, sapos embriagados e mulheres de mãos na cabeça. Os homens atravessam os passeios de chapéu de chuva e as crianças vestem gabardinas. Ali choveu. Os portões, escancarados, prendem as plantas que restam contra os muros. Vê-se bem que ali ficaram, presas, na debandada. A frescura perdida deu lugar a um bafo doce, um fumo húmido enche suavemente os pulmões de quem ali respira. 
De mãos nos bolsos ali caminho. Escondo as marcas de água do meu desenho...esborratado, de um vermelho acinzentado...

sexta-feira, 15 de março de 2013

As certezas dos demais



É verdade não escolhida, as certezas dos demais. Flecha de uma montanha lançada, alvo certo e camambuzio. Fumo de um tabaco de sabores. A certeza dos demais. Verdade inconcebível, incontrolável, a dos demais...deles e delas, dos que não querem ou (des)querem, dos que...sentem?
O Poder das rosas, de uma decisão espontânea, ou de um facto de fé. A certeza das vontades, completa no segundo, porque o primeiro está só!...e como fazem os perdidos? Ah, sobrevivem na esperança de "lá chegar!"...tipo, senhores e senhoras, bem-vindos ao aeroporto de Buenos Aires...bom tempo, calor! Todos queremos...não?
Pois, o som de um búzio desperta o mar, desconhecido, de todos nós. Do lado de lá está a imaginação e de avião, como quem chega ao paraíso, contam-se histórias!...aos outros...fui tão feliz. Ainda que por pouco tempo, fui feliz...ali. Agora?...http://yourouterspace.blogspot.com/2011/02/porque-foi-que-tudo-mudou.html
Mas também sei que tais palavras, odiadas, despertam horrores dos sonhadores, bem sei. Os sonhos comandam a vida...frase capitalmente endurecida, pois sim, a mais pura das verdades! Até porque o tempo passou a ser menosprezado, tudo acontece à velocidade da vontade...tudo é fácil, ou, afinal, não é...não vale! Certamente!
Para quê esperar? Tudo é tão simples...afinal. Créditos na sombra das vontades trazem respostas! Porque se eu quero, agora, basta justificar! Oh, que certezas...dos demais! ...e se amanhã não, outros créditos virão. Violência atrevida dos que não pensam em nada...fácil, afinal! E quando terminar? ...logo se vê! Não pensemos nisso!
 Dançar ao som de um tango passou a ser comum. Até porque são de músicas longas...e isso é viver, dizem os demais. Aos 21 minutos troca-se! De música...ou até de parceiros, sei lá. Ou não. Fecha-se os olhos e logo se vê!
A praia é para ser vivida...e por isso para lá corremos, todos, por um lugar ao sol!...mas as fotos douradas, arrebatadas, sonhadoras, confiadas, espelham areias desertas, onde silenciosamente, passeamos unos, sós! De braços abertos colhemos luzes foscas! Repletas de paraísos terrestres...Olhem!!!...para mim, ali, ao som de um saxofone solitário. Olhem! Que linda figura, tão simples! EU! ...sem certezas, de mim próprio, dos demais...
Mas o sonho, esse, é levar-te ali! Onde caminho só, uno. Um lugar tão meu...Mas tão meu, que partilhá-lo fundamenta a espera, o aguardo, a certeza de um só, não dos demais. 
Mas a paciência desespera! O tempo leva tempo...e quem somos nós para acrescentar...a vida é curta, há que aceitar...a certeza dos demais! Certo?



quinta-feira, 7 de março de 2013

Friends & Lovers



É...verdade que sou assim!
E sabem que mais? Gosto!
Não estou cá para os outros...
já estive.
E se me virem por aí,
de braço dado ao pôr do sol
levem convosco os pensamentos
porque as nuvens são minhas
o tempo pertence-me
e dele faço o que quero.
Que querem saber?
Se sou um só?
Comprem cadeiras e atirem-nas ao chão!
Depois sentem-se nelas...
têm muito que ouvir.
Então assim começou...e acabou!
Gostem das vossas vidas
e deixem as dos outros.
Abracem os vossos amores,
comprem flores e espalhem-nas nos vossos caminhos.
Não, não é mas...
e se fosse? Cabe-me a mim sonhar!
Decidir e relembrar.
A diferença entre os amigos e os amantes...qual é?
É que uns sabem de si...e os outros conhecem...
Oh, feliz coincidência acordar acompanhado,
também aqui dormiste?
E que viste?
- Diz antes, o que fiz...
Sorrisos escaldantes sem interesse.
Que vantagem encontrar alguém assim.
É tão melhor, tão mais simples.
E a fazer o pino encontra-se paz!
De costas voltadas, qual intimidade azul.
De peitos esmagados, e ventres apertados.
Uff...e sorrisos bonitos.
Assim, sim! Fica a vida importante.
Não se dividem tristezas, dá-se apenas a mão,
dá-se apenas o ombro,
afagam-se peles sofridas.
Com a força de quem, deveras gosta e aprecia...
...sem cobrar...sem esperar.
Livre.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

despojos rasgados



Faço as contas aos segundos, antevejo os processos, negras vontades e destinos assombrosos. Caóticas mentalidades dos sofredores nos cantos de edifícios decadentes. Oh gélidas vontades que me têm cativo.
O abraço de uma desconhecida cheira a gelado de baunilha, cansáveis memórias de uma infância inerte. Que lindas são as flores deste jardim de árvores gigantes. E gigantes são as passagens, quais adamastores bem vestidos ao som de músicas sádicas.

Não. Cedem-se encantos quentes. E os comandos de ares rarefeitos importam aos outros. Redes humildes afastam os bicudos, aqueles que matam. Tortas mal feitas, caminhos putrefactos com pés descalços. E o sol...poderoso mas sem cor. Cantam-se gritos, ouvem-se mórbidas frases. Corações arrebatados por mãos indignas. Vale-nos oh grande imagem de quem nos fez, torna as passadas picantes em areias saudáveis, faz do pecado o mau e do amor a saudade.

Queria saber quem sou, aqui e ali, quem fui. Mas ao encanto de quem veste de branco sob o riso de um santo, não posso ceder. Porquê? Porque vesti de negro os aventais. Pintei de roxo os brincos de areia e livrei os olhos de lágrimas. Perdi a sensação de cair. E esta gravidade invertida, comete crimes, aos poucos...aos muitos, ás vezes. Torna-te claro, oh sentido de som, que o espírito cansado está só e de lado e não pode cantar.

De braços abertos, cantas aos santos dos céus. Mas os blocos de pedra ofuscam mentalidades perversas. E a criança riposta com choros sumidos no colo das mães perdidas. E ele já não sabe mais. São poucos os anos de caminho (des)ofuscado...ainda. Pétalas de rosa esmagadas pelas pegadas de outrem. Liberdade falsa, liberdade atingida pela expulsão de um lar. Liberdade...incompleta.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Segredos, não o são...



Segredos, não são que mentiras ocultas.
Segredos, contados a quem não os quer.
Dúvidas eternas e doces multas
e obras sem fim para quem os quiser.

Pedras lisas em águas quentes,
lançadas bem longe, ao fundo do rio.
Sentimentos doridos de tantas gentes, 
pescados por tristes p'la ponta de um fio.

Segredos ocultos por quem os disser,
mas vozes bem altas de quem os ouviu.
Na esquina dos passos, resiste quem quer
e traições aparte de quem não (as)sumiu.

Às tantas, 
surpresas saltitantes de caixas de cartão,
palhaços pintados, qual acordeão.
Fui ponte de morte sobre quem amou
e de sorriso estendido, eu abri a mão.
Pelo desgaste da alma, de quem eu não sou.

Verdades ocultas, segredos, degredos.
Finos mal tirados, mortos, sem espuma.
Abriram-se portas a tantos medos,
ficaram perdidos, com dores agudas, na ponta dos dedos.

Segredos, não o são jamais.
Porque os sons da batalha traduzem ditados
e reduzem a nada promessas vitais.
Dão aos homens bons, sentimentos violados.
E traduzem acções dos que são mal amados.

Segredos, (já) não o são...