terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Segredos, não o são...



Segredos, não são que mentiras ocultas.
Segredos, contados a quem não os quer.
Dúvidas eternas e doces multas
e obras sem fim para quem os quiser.

Pedras lisas em águas quentes,
lançadas bem longe, ao fundo do rio.
Sentimentos doridos de tantas gentes, 
pescados por tristes p'la ponta de um fio.

Segredos ocultos por quem os disser,
mas vozes bem altas de quem os ouviu.
Na esquina dos passos, resiste quem quer
e traições aparte de quem não (as)sumiu.

Às tantas, 
surpresas saltitantes de caixas de cartão,
palhaços pintados, qual acordeão.
Fui ponte de morte sobre quem amou
e de sorriso estendido, eu abri a mão.
Pelo desgaste da alma, de quem eu não sou.

Verdades ocultas, segredos, degredos.
Finos mal tirados, mortos, sem espuma.
Abriram-se portas a tantos medos,
ficaram perdidos, com dores agudas, na ponta dos dedos.

Segredos, não o são jamais.
Porque os sons da batalha traduzem ditados
e reduzem a nada promessas vitais.
Dão aos homens bons, sentimentos violados.
E traduzem acções dos que são mal amados.

Segredos, (já) não o são...



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Pandora de um Astronauta



Sou astronauta...e para quem me quer ouvir, sou astronauta! Mesmo que a lua se mantenha distante, vou e venho. E por lá me mantenho o tempo que quero. Há silêncio, o silêncio dos bons. O silêncio de quem ouve e nada diz...não há ar para falar. E então sorrio...liberdade.
Ali os aliens não têm figura. Mesmo aqueles que me incomodam.
Não tenho amarras, não posso...já não sei lidar com elas. Falo a verdade! Vivo agarrado à vaga liberdade que me deixa ser assim, um astronauta sorridente. Ali não há vento que me empurre, ou noite ou dia que me lembrem de ontem. 
O tempo é inconsequente e consigo manter-me inerte. Sou simples espectador do filme "lá de baixo". 
Ali não há escolhas nem obrigações a considerar. É um canto sóbrio e ao mesmo tempo embriagado. Ali, não preciso optar, por uns ou por outros, por uma ou por outra, pelo sim ou pelo não...porque não quero. 
Sou astronauta e ali me deixo envolver pela Liberdade.
Sou astronauta, sou egoísta. Sofro do mal dos que escolhem não escolher, senão viver...sorrir e respirar. Porque ali, o astronauta não tem ar...mas respira a falta dele.
E nisto sinto a solidão que me envolve ao acordar, mas que dá sentido ao descolar para cada viagem. Porque deixei de pertencer...que não às estrelas.
E o astronauta vagueia entre elas, as estrelas, que o acompanham e não têm inveja...umas das outras...estão ali. E entre elas passeio, não sou de nenhuma, sou de todas.
Olho a terra, de longe. Sinto saudades dos dias de sol quando os pés sentiam aquela areia...verdadeira. Das noites gélidas em que, de cachecol, abraçava a chuva miudinha pela primeira vez. E nesses momentos sonhava ser...astronauta.
Um dia, voltarei aos pés descalços, voltarei a abraçar a chuva. E seguirei o sorriso de quem canta. De quem entende o eterno astronauta, qual Caixa de Pandora por abrir. Porque sou astronauta...



sábado, 2 de fevereiro de 2013

Partido(s)


...e porque há dias em que nos sentimos miseráveis, restam palavras memorizadas em textos azuis. É verdade! Azuis como os sentimentos pecaminosos que atravessam e contradizem os valores das mentes.
Acordem, apetece-me gritar...mas acordar é assim tão bom? Ver tudo claramente e desatinar ao desatino. Vale pouco! Não sei porquê, mas apetece-me respirar acordado, ainda que esta realidade seja solitária...que tanto odeio!
Olhei para o lado, e arrependi-me, mas também não. Estarei louco? Partido? Talvez partido...sim, talvez. Mas não quero conversar nem falar disso porque não tenho respostas.
Os ventos levam-me as vontades. E então só me apetece ficar a olhar. 
Desculpem lá, mas deixei de aturar o que quer que seja. Pois...os partidos são assim, como que partidos.
E o vermelho que me corre nas veias decidiu evitar o centro. Seco, este vislumbra-me quando estou só. E relembra-me que, noutros tempos, por ali passavam lavas incandescentes que interrompiam os raciocínios. Que saudades das certezas erradas e do som brilhante do partir de um coração.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

de mãos no ar.

Hoje fui correr para o deserto! Enterrado na areia senti o coração falhar, qual esforço estoico do sonhador aprisionado. Senti o calor de uma alegria afagar o desespero e respondi-lhe com a saliva que me resta.
De novo abro os braços e fito as estrelas de cabeça tombada. Porque goza o mundo com elas? De unhas traçadas respondem-me assim...é assim.
O troca-tintas deixei de ser eu. Sim, a mais pura das verdades! Não vou ceifar sentimentos, muito menos acreditar que os mudo. Mas, agora...logo agora? Agora que sou feliz e (já) não me encantam as companhias perfeitas? Agora?
Acuso-me de nostalgias cegas ao fim do dia. No entanto, de manhã, são sorridentes artimanhas de um cérebro que recusa estagnar! Eis-me aí, ou aqui, tanto faz! Livre de especulações amaldiçoadas sobre mundos difíceis. Eu? ...não! ...e de cabeça inclinada sorrio ao choro que me atormenta a memória.
Adoro tocar sonhos realizados. Mas deles fujo, depois. Como vistos certinhos nos questionários dos palestrantes...já tá.
Hum, não gosto de não gostar. Mas prefiro amar loucamente.
O dia é longo. Tão longo. As estrelas do sono? Já nãos as vejo há muito. Foram-se com a premissa há tanto estabelecida...serei eu o exemplo?! ...mas não. O exemplo são os outros e as suas companheiras escalfadas de crias pela mão. Esses sim! Antigos guerreiros de espada em punho que gritavam: jamais! Jamais? E eu que os fitava incrédulo, certo dos meus prazeres. Eu sim! ...mas não.
A surpresa de cada esquina é já minha amiga. Já não a procuro, vem só até mim. Então deixei de tremer...
Ainda respiro conchas de pérolas opacas. Daquelas que se encontram nos mergulhos profundos. Adoro nadar...e mergulhar. Mas de olhos abertos! Fechados nunca mais...consciente dos raios de sol que iluminam o fundo.



sábado, 22 de dezembro de 2012

"Inté..."

Parece que as paredes bloqueiam quem quer passar. É uma estrada em terra, ladeada por carreiros de águas passadas. As últimas chuvas deixaram buracos no caminho...é assim. E é vê-los passar, como quem já nada vê, ou tudo sabe. Aqui fretam-se ovos de rodas, sem portas ou janelas para que as belas não vejam. São azuis, são brancos, os ovos da Páscoa deste Natal. Tempos brilhantes por detrás de vidros foscos.
Mais à frente está o cimento. Aquele coberto de terra dos montes vizinhos, onde moram os pais, os filhos e amigos. Onde as luzes são fracas e as águas...as águas...são dos crocodilos!
O pano de fundo é cinza claro, ou cinza escuro se as nuvens quiserem descarregar. Torres que querem crescer e o mar ali...que nada lhes faz. 
Por outras vias coloridas, onde me encontro por engano, às vezes, são memórias antigas de brinquedos no chão. E no meio daquilo, de janelas subidas, passeia-se gente que pula e não o sabe. As cores, que frenesim de publicações numa biblioteca viva...ali. E ao fim da tarde, todas perdem a cor...são amarelas, laranjas e bejes, de um claro amargo que cativa...
Não quero falar das águas, deixo-as estar. São dali e são de abraços leves, quando as deixamos. Massagens frescas de sujidade crónica...em dias de torra. 
É isto, um parco odor a aventura, quando me deixam... "Inté!"